CompuNet seu provedor de internet com qualidade
Fronteira

Após três meses, Venezuela reabre fronteira com o Brasil

Fronteira estava fechada por ordem do regime de Nicolás Maduro desde 21 de fevereiro.

10/05/2019 19h51
Por: Edinardo Pinto
Fonte: G1
164
Fronteira Venezuela com Brasil / Foto: Divulgação
Fronteira Venezuela com Brasil / Foto: Divulgação

A Venezuela reabriu a fronteira com o Brasil no início da tarde desta sexta-feira (10) após quase três meses -- 78 dias. O acesso oficial entre os países foi fechado por ordem do presidente venezuelano Nicolás Maduro em 21 de fevereiro.

"Está aberta a passagem para pessoas a pé e de carro”, o cônsul venezuelano que atua em Boa Vista, Faustino Torella Ambrosini informou nesta tarde. Segundo ele, a fronteira foi aberta por volta de 12h (13h de Brasília).

A reabertura também foi confirmada pela Operação Acolhida, que cuida do fluxo migratório em Pacaraima, cidade fronteiriça. Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou ser inteligente da parte do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a decisão de reabrir a fronteira com o Brasil.

O anúncio da reabertura foi feito mais cedo pelo vice-presidente econômico, Tareck El Aissami. Além das fronteiras com o Brasil, também foram abertas as comunicações marítimas e aéreas com a ilha de Aruba.

"O presidente Maduro anuncia à comunidade internacional a reabertura da fronteira terrestre com o Brasil a partir do dia de hoje. Gradualmente, iremos re-estabelecendo os mecanismos de controle fronteiriço para que esta fronteira seja cada vez mais uma fronteira robusta de desenvolvimento econômico produtivo e que beneficie a ambos os povos, a ambas as nações", anunciou El Aissami na televisão estatal VTV

Em nota, o governo de Roraima avaliou de forma positiva a reabertura, tendo em vista que serão retomadas comerciais serão retomadas entre os dois países.

O fechamento da fronteira foi uma retaliação à decisão do governo do Brasil de, em cooperação com os EUA, enviar ajuda humanitária ao país a pedido do autoproclamado presidente Juan Guaidó, opositor a Maduro.

Ainda assim, o Brasil tentou enviar a ajuda e ocorreram conflitos na fronteira, entre eles um enfrentamento entre militares venezuelanos e índios pemones na comunidade indígena venezuelana de Kumarapakay, a 70 km da fronteira.

A Provea, ONG de defesa dos direitos humanos, classificou os conflitos como "massacre da Gran Sabana" e diz que eles deixaram ao todo 7 vítimas - incluindo as três mortes no Brasil - sendo quatro índios pemones e mais de 50 feridos.

Mesmo com o fechamento da BR-174, as pessoas não pararam de cruzar a fronteira e em média 450 venezuelanos pediam ingresso regular no Brasil por dia, segundo a operação Acolhida, que controla o fluxo de imigrantes.

Para burlar o bloqueio, os venezuelanos atravessavam entre os países pelas chamadas "trochas", rotas clandestinas em meio à mata, fazendo percursos que poderiam levar até horas. Entre eles até estudantes venezuelanos que moram em Santa Elena mas estudam em Pacaraima.

Durante o período em que a fronteira esteve fechada, empresários e políticos locais tentaram negociar a reabertura. A principal justificativa é que com o bloqueio na BR-174 Roraima estava deixando de exportar R$ 5 milhões por dia.

Em março, o governador do estado Antonio Denarium (PSL), que é aliado ao presidente Jair Bolsonaro, participou de reuniões na fronteira com ministros chavistas e chegou a dizer que a fronteira seria reaberta, o que acabou não acontecendo à época. Em abril, o senador Telmário Mota também foi a Caracas conversar com Maduro para negociar sobre o assunto.

No dia 30 de abril, a Venezuela teve novos embates entre o governo de Maduro e o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó.

O opositor afirmou ter apoio das forças militares do país e convocou a população às ruas. Autoridades do governo falaram em tentativa de golpe de Estado. Houve disparo de bombas de gás nas ruas da capital, Caracas, e cinco pessoas morreram, segundo informações da ONU.

Em paralelo, o número de venezuelanos em fuga para o Brasil registrou um pico de 848 pessoas.

Outro opositor, Leopoldo López, libertado de sua prisão domiciliar, se refugiou no edifício do corpo diplomático espanhol.

Dois dias depois, o presidente Nicolás Maduro marchou com militares para mostrar apoio das Forças Armadas. A cúpula militar reafirmou sua adesão a Maduro, e 25 rebeldes pediram asilo na embaixada brasileira, que foi concedido. Na quarta-feira (8), o governo anunciou a expulsão de 56 militares acusados de envolvimento no levante.

Também na quarta, foi preso o vice-presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Edgar Zambrano. O parlamentar, que é aliado de Guaidó, foi preso preventivamente por participação no levante militar, segundo anúncio feito nesta sexta (10) pelo Tribunal Supremo de Justiça do país.

 

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários